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Um pouco da história e ensinamentos de quem é apaixonado pelo trabalho que faz.

Motorista há 40 anos e com 55 anos de profissão, José Subanas (Condutax 100.912-38) é o taxista com mais anos de estrada, entre todos aqueles que trabalham em frotas de empresas associadas à Adetax. Nascido em 8 de agosto de 1921, na Lituânia, país da Europa que por muitos anos fez parte da antiga União Soviética, José veio para o Brasil em 1927, acompanhando a família, que buscava melhores condições de vida. Antes de se tornar taxista, trabalhou na lavoura de café e cortou cana-de-açúcar no interior de São Paulo. É viúvo e ajuda a manter dois filhos que moram com ele. Leia a seguir o que José Subanas, da frota DBC, tem a nos contar:
Adetax: Como o senhor iniciou na profissão de taxista?
José Subanas: Sempre gostei muito de dirigir, achava bonito. Tirei carteira em 1949 e, desde então, sempre trabalhei com profissões ligadas a automóveis. Fui instrutor de auto-escola, motorista de caminhão, trabalhei na Ford... mas o que mais gostei, dentre todas essas passagens, foi mesmo de ser motorista de táxi. Tanto que, até hoje, permaneço na praça, aproveitando a oportunidade que a frota oferece.
Adetax: Quando o senhor começou, já começou em frota?
José: No início, trabalhava com táxis emprestados de amigos, colegas e conhecidos. Nunca tive chance de ter um carro próprio. A profissão, na época, era mais rentável, a ponto de eu fazer o seguinte acordo: 30% do que ganhava na praça ficavam comigo e o restante era do dono do carro. Depois de 15 anos como taxista, entrei na frota DBC e desde então trabalho lá, em condições muito mais justas.
Adetax: Quais modelos de carro o senhor já dirigiu?
José: Vários. Dirigia Chevrolet, Ford, Volks. Antigamente, os carros da Ford davam muito problema. Esquentavam devido ao clima quente do Brasil e não eram bons para trabalhar. Hoje, é claro, tudo mudou, todas as montadoras aperfeiçoaram muito a tecnologia dos carros. Particularmente, os que mais gosto de dirigir são os carros da Volkswagen. Atualmente dirijo um Gol.
Adetax: No início de nossa conversa, o senhor disse que o mercado era mais rentável. Quais as diferenças entre a praça de 30 anos atrás e a de agora?
José: A diferença é muito grande. A situação econômica do País, ao longo dos anos, gerou dois milhões de desempregados em São Paulo e reduziu a renda da maior parte das pessoas. Perdemos muitos clientes para o transporte público. Quando há feriado prolongado, os que podem, viajam, e a maioria dos que ficam na cidade têm dificuldade para pagar uma corrida. Também há o fato de que tanto a administração atual quanto as administrações anteriores da Capital relaxaram e permitiram uma invasão de carros de municípios vizinhos, como Santo André, Osasco, São Bernardo. Eles acabam nos prejudicando, já que são mais táxis andando nas ruas aumentando a concorrência.
Adetax: Ainda sobre o passado da cidade, existe algo curioso a respeito do comportamento dos clientes naquela época?
José: Antigamente alguns passageiros pegavam táxi só nas festas de fim de ano. Era um acontecimento para eles, era importante andar de táxi. Entravam no carro cheios de sacolas e, já bastante alterados devido ao álcool, indicavam o destino sem saber bem ao certo para onde estavam indo. E ainda pediam para chegar buzinando, fazendo bastante barulho para a família e vizinhança inteira perceberem que estavam chegando de táxi! Chamávamos esse tipo de cliente de “passageiro de final de ano”. Isso hoje não existe mais.
Adetax: Como os taxistas se vestiam?
José: Quando comecei na profissão, camisa de seda branca, gravata e boné eram obrigatórios. Mas como o clima daqui não permitia muito tecido e os carros não possuíam ar-condicionado, a escolha da roupa foi liberada com o tempo.
Adetax: Além das roupas, o comportamento dos motoristas também mudou?
José: Em parte, sim. Hoje há alguns que não se concentram na direção, ouvem música alta e dirigem com celular no ouvido. E os acidentes acabam acontecendo também por causa desses descuidos. Eu, graças a Deus, nunca sofri um acidente grave.
Adetax: Numa comparação com os dias de hoje, o trânsito era melhor há 30 anos?
José: Olha, o trânsito sempre foi ruim. Não há tanta diferença entre o trânsito de 30 anos atrás para o de agora. Atualmente, o que eu lamento é o individualismo do paulistano. Vejo muitos carros de passeio, a maioria com apenas uma pessoa dentro. Isso faz crescer o número de automóveis nas ruas e impede que o trânsito possa melhorar.
Adetax: O senhor sempre trabalhou durante o dia?
José: Não, vivi uma época bem gostosa quando trabalhei à noite. Foram 8 anos, levava e trazia passageiros para cassinos, boates e casas de shows. Ganhei ingressos para assistir shows de graça e levava muito artista para casa. Outro fato bem inusitado era quando o passageiro não pagava a corrida. Além de não pagar, já existia o “cara de pau” que até pedia dinheiro para pagar uma conta qualquer, dizia que acertaria tudo, corrida e empréstimo, junto depois. Alguns sumiam, não voltavam para me pagar.
Adetax: Qual a região da cidade que, hoje, está perigosa para o taxista?
José: Infelizmente não temos como evitar regiões com altos índices de assaltos. Principalmente à noite, a região de Santo Amaro e ruas que cortam favelas são bem perigosas. Eu também já fui assaltado três vezes durante o dia. Procuro não reagir, mas em um dos assaltos aproveitei que o bandido se distraiu e arranquei com o carro, deixando-o para trás. Sei que corri um grande risco, mas na hora a gente não pensa... Mas em nenhum dos assaltos fui agredido fisicamente.
Adetax: O ponto do aeroporto de Congonhas é um dos mais desejados pelos taxistas. Além dele, quais os locais em que há mais passageiros na cidade?
José: Hoje em dia, os pontos que mais rendem passageiros são hospitais como Beneficência Portuguesa e Hospital das Clínicas, hotéis internacionais, centro da cidade e Bom Retiro. Não dá mais para andar com o táxi pelas ruas procurando passageiro, porque o combustível está muito caro e continua aumentando!
Adetax: Para encerrar, depois de tantos serviços prestados ao volante, o senhor já pensa em parar?
José: De jeito nenhum! Embora o mercado não esteja tão bom quanto antes, não penso em parar tão cedo. Minha carteira vale por mais três anos e pretendo continuar, pelo menos, por esse período. Gosto muito de dirigir. Para mim, é algo prazeroso. É uma profissão que você tem fácil locomoção e, na hora da pressa, é ao táxi que as pessoas recorrem. Como disse, trabalho em frota faz 40 anos e não tenho do que me queixar. Trabalhei com a primeira geração dos donos da DBC e agora trabalho com os filhos no comando. A frota é como se fosse minha família, sempre me ajudou quando precisei e pretendo continuar até quando eu puder!
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