Cada vez mais , as mulheres conquistam seus espaços no mercado de trabalho. E no taxi, não podia ser diferente. Conheça a história de Dona Analice, uma mulher de fibra e com orgulho de ser Taxista.
Dia Internacional da Mulher 08/03
Analice Santos de Souza Botelho é uma Taxista que trabalha em frota, que com apoio do setor de táxis de frota pôde superar barreiras e preconceitos e hoje trabalha como taxista.
Analice Santos de Souza Botelho tem 52 anos e trabalha na praça há 20 anos. Ela encontrou oportunidade de seguir na profissão em uma Empresa de Táxi de Frota, associada à Adetax, e a agarrou com unhas e dentes. Vaidosa, está sempre arrumada e não dispensa a maquiagem, ao mesmo tempo em que procura “respeitar os passageiros para ser respeitada”. Leia a seguir o que essa taxista tem a nos dizer, nessa semana marcada pelo Dia Internacional da Mulher:
Adetax: O que você fazia antes de ser taxista?
Analice: Era dona de casa antes de resolver trabalhar. Não comecei diretamente nos táxis, mas em minhas experiências de trabalho anteriores eu sempre lidei diretamente como o público. Comecei através da venda dos produtos de grandes magazines, como a Mesbla. Também vendi iogurte no sistema porta a porta. Sempre gostei de trabalhar em profissões que tivessem contato direto com as pessoas. Acho que ter ido parar no táxi é conseqüência desse meu jeito de ser.
Adetax: Como se tornou taxista?
Analice: Quando estava no meu último emprego, antes de ser taxista, me separei do meu marido. Tinha uma filha, então com três anos e, na época, ela se sentia muito sozinha. Como taxista, passei a ter uma flexibilidade de horário que antes eu não tinha. Além de ter mais tempo para cuidar dela, fui incentivada a fazer o cadastro para conseguir o alvará por ver o marido da minha vizinha trabalhar com táxi. Achava, e agora acho ainda mais, a profissão bonita.
Adetax: Você já teve carro próprio? O que aconteceu?
Analice: Já tive carro próprio mas, infelizmente, caí num golpe e, sem ter “culpa no cartório”, apreenderam meu alvará. Hoje meu alvará está preso no DTP.
Adetax: Há quanto tempo trabalha numa frota de táxi?
Analice: Quando perdi meu alvará, fiquei desempregada e fui procurar emprego em diversos lugares. Até mesmo como preposto, colegas fecharam as portas, não me aceitando. Encontrei o que queria e precisava na frota, que me abriu as portas quando mais precisava e me deu uma injeção de ânimo. Estou na frota há quase três anos, adoro as pessoas e o ambiente de trabalho. Alguns colegas mais novos que trabalham na mesma frota que eu me consideram como uma verdadeira mãe. Além do bom ambiente, continuo tendo o benefício que me levou à profissão de taxista, ou seja, tenho autonomia para trabalhar a hora que quero e qualquer problema que tiver posso contar com o pessoal da frota. Eles me tratam de igual para igual, como uma verdadeira profissional. Acho que isso valoriza o papel da mulher.
É isso o que nós, mulheres, desejamos e precisamos no mercado de trabalho.
Adetax: Os passageiros ainda se espantam ao encontrarem uma mulher no volante de um táxi?
Analice: Muito. A primeira frase que dizem é: “É a primeira vez que pego um táxi com uma mulher”. Todos os dias eu ouço isso. Eu dou risada e procuro fazer o meu trabalho da melhor maneira possível para atender bem, com profissionalismo e qualidade todos os passageiros, sejam homens ou mulheres.
Adetax: Como você lida com as “cantadas” dos clientes?
Analice: Em 20 anos de profissão, nunca abri espaço para que passassem dos limites, faço meu trabalho de uma maneira que não haja mal-entendidos. Procuro não me intrometer muito na vida dos passageiros e não dar liberdade para eles também não se sentirem no direito de avançar o sinal. Tento me adaptar ao jeito do cliente. Se eles querem conversar sobre política, converso sobre política. Se querem conversar sobre moda, futebol, sobre o tempo, converso sobre o que eles querem. Se eles não querem conversar, fico quietinha no meu canto. Eu respeito o espaço deles e assim consigo com que eles respeitem o meu.
Adetax: No atendimento aos passageiros, o que você faz para se diferenciar e tornar os clientes “fiéis”?
Analice: Por trabalhar sempre na região de Higienópolis, alguns passageiros me procuram porque já me conhecem e sabem que estou por perto. Sou muito procurada por mães de adolescentes que gostam de sair à noite. Nós fechamos um preço, e levo e trago os filhos delas para casa. Uno meu gosto por trabalhar à noite e a confiança que transmito por ser mulher. Os pais me vêem como uma protetora. Também por ser mulher, acabo muitas vezes fazendo o papel de “psicóloga” para senhoras e moças. Elas se sentem mais soltas para conversar comigo.
Adetax: Quais seus cuidados com relação às roupas, maquiagem, para trabalhar? Você se considera vaidosa?
Analice: Sou bastante vaidosa. Estou sempre com os cabelos muito bem lavados e arrumados, procuro me vestir bem, usar brincos. Acho importante me arrumar bem. Não é porque trabalho em uma profissão tida como “masculina” que tenho que me vestir como homem. Gosto de ser feminina. Acho que esse é um dos segredos do sucesso de qualquer mulher, em qualquer profissão.
Adetax: Seu carro tem algum diferencial, algum toque feminino?
Analice: Não sei se seria um diferencial, mas mantenho meu carro cheiroso e limpo. Acho isso uma obrigação de todo motorista, seja homem ou seja mulher e tenho visto que os colegas de frota também se esforçam para isso . Passo lustra-móveis no painel e lavo todos os dias. Outra regra básica que me impus é não fumar dentro do automóvel. Se o passageiro pede para fumar, deixo sem problema algum, mas eu não fumo dentro do meu táxi.
Adetax: Para terminar, nossos parabéns pelo Dia Internacional da Mulher. Você tem algo mais a dizer para as mulheres que pensam em ser taxistas?
Analice: Obrigada. Sobre mais mulheres na nossa profissão, digo que hoje já são quase duas mil mulheres taxistas na cidade de São Paulo dentro de um total de quase 33 mil taxistas. Em frotas, já tem mais 150 mulheres. Ainda é pouco, acho que podemos ter muito mais mulheres. Eu indicaria procurar a Adetax para colegas que querem mais informações sobre como ingressar na praça. Eu superei o preconceito e hoje faço o que gosto. Que o meu exemplo sirva para acabar de vez com essa história de que ser taxista é profissão só para homem.
Vanessa Correia
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