De volta para casa

O taxista Gilberto Freiria de Quadros, casado e pai de dois filhos, fala sobre a profissão e também explica o motivo de ter voltado para as frotas, depois de ter ganhado um dos 700 alvarás que a Prefeitura retirou das empresas em janeiro de 2004 e que, hoje, é motivo de contestação judicial por parte da Adetax. Veja.
Adetax: Antes de se tornar taxista, onde mais o senhor trabalhou? Gilberto: Eu fazia serviços gerais em uma Agência de Publicidade, depois trabalhei sete anos, de 1979 a 1986, como subgerente do Banco Bamerindus. Comecei a trabalhar como taxista de frota a partir de 1987, depois que perdi o emprego no banco.
Adetax: O mercado era mais rentável quando o senhor começou? Fazia mais corridas? Gilberto: Com certeza na época que eu comecei era bem melhor para trabalhar. Naquele tempo eu fazia em média de 20 a 25 corridas por dia. Hoje, acho que por causa da concorrência das lotações e dos ônibus clandestinos, esse número caiu muito. Também por causa disso, essa campanha da Adetax, “Vá Tranqüilo, Vá de Táxi” chegou em boa hora para atrair mais passageiros para toda a categoria.
Adetax: Seus colegas dizem que o senhor está sempre muito bem vestido. Isso também ajuda atrair passageiro? Quais outras dicas para o taxista valorizar-se? Gilberto: Com certeza valoriza. Ainda mais hoje em dia, que a disputa na praça está acirrada. Como tento sempre me vestir bem, eu acho que isso faz o cliente se sentir mais seguro comigo. Outra dica é sempre ter um roteiro com os endereços dos melhores restaurantes, bares e da vida noturna da cidade. Para isso, levo sempre no carro os jornais diários como Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, além de revistas como Veja, Época, entre outras.
Adetax: O GP de F1 e as feiras e congressos atraem muitos turistas para São Paulo. Quais os lugares que os turistas mais gostam de visitar? Gilberto: Quando tem eventos como feiras, congressos e a própria F1 os turistas gostam de esticar o passeio e jantar em bons restaurantes, tomar algum drinque nos melhores bares e principalmente freqüentar a agitada vida noturna de São Paulo em clubes e boates.
Adetax: Quais modelos de carro o senhor já dirigiu? Fale sobre os pontos positivos de cada um. Gilberto: Comecei com um Fusca, depois Passat, Gol 1º geração, Voyage, Prêmio, Santana, Palio, Siena, e agora estou com um Corsa Classic. Destes carros que falei o melhor para trabalhar como táxi foi o Santana, porque é confortável e cabem mais pessoas. Em relação à mecânica, o Classic é muito bom, dá pouco problema.
Adetax: Numa comparação com os dias de hoje, o trânsito era melhor quando o senhor começou? Gilberto: Sim, era melhor. Hoje, a quantidade de carros aumentou, as pessoas andam mais nervosas, sem paciência. Por outro lado, também existem mais campanhas educativas para as pessoas se conscientizarem, veio a lei do cinto de segurança e também melhorou o sistema de controle do trânsito, com sinais “inteligentes”. E houve também uma melhoria muito importante: a liberação dos corredores de ônibus para nós, os taxistas.
Adetax: O senhor trabalha mais à noite ou durante o dia? Gilberto: Trabalhei praticamente toda a minha vida de taxista à noite. Era bom, porque eu levava menos tempo nas corridas, já que o trânsito a noite é bem melhor. Agora como sou casado, pai de família, mudei há oito meses para o dia.
Adetax: Qual a região da cidade que, hoje, está perigosa para o taxista? Gilberto: As pessoas falam que a Zona Sul é a mais perigosa, mas eu ainda acho que a Zona Leste é a mais perigosa para o taxista trabalhar.
Adetax: Quais os locais em que há mais passageiros na cidade? Gilberto: Em todas as Rodoviárias (Tietê, Barra Funda e Jabaquara), Shopping Center (Iguatemi, Morumbi, Eldorado, Higienópolis), Centro de Exposições (Center Norte, Anhembi, ITM Expo, Imigrantes), Hotéis (Transamérica, Rede Blue Tower, entre outros), Restaurantes e Boates.
Adetax: O senhor foi sorteado com um dos alvarás que foram retirados das empresas em 2002. Por que o senhor voltou a trabalhar em frota? Gilberto: Porque depois que ganhei o alvará tive que comprar um carro financiado em 36 vezes e, quando eu estava na 16º prestação, eu fui roubado. Fiquei sem o carro e com uma dívida enorme. Nas frotas, o motorista não corre esse tipo de risco.
Adetax: O senhor tem orgulho de ser taxista? Gilberto: Eu tenho amor a minha profissão. E gosto daquilo que eu faço.
Serviço Nome completo: Gilberto Freiria De Quadros Data e local de nascimento: 31/10/1960 em São Paulo - SP Estado civil: Casado Filhos: 02 (Carlos Eduardo e Ana Carolina)
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